100 primeiros dias

100 primeiros dias

O primeiro dia de trabalho sempre dá um frio na barriga. Seja você o estagiário, seja o executivo de uma multinacional. É quando você vai descobrir se tem sala, se seu e-mail já está ativado e como funcionam as regras mais simples da empresa, como achar a vaga no estacionamento e se o almoço será feito num refeitório ou no restaurante ali ao lado.Os momentos seguintes serão mais confortáveis, mas não menos intensos. Os 100 primeiros dias de trabalho poderiam ser chamados de dias das descobertas. Cada reunião gera uma pergunta. Cada pergunta, uma resposta. Cada resposta, uma dúvida. Ou várias.Para o executivo de RH, essas primeiras impressões têm um gosto especial. É a chance que ele tem de ler a empresa com olhos ainda novos, entender a linguagem corporativa, traduzir a cultura e, a partir daí, montar um plano para pôr a mão na massa. Os executivos que participaram desse ensaio estão nessa fase de descobrimento — e encantamento. Alguns chegaram tão recentemente que nem têm cartão de visita.Outros acabaram de ultrapassar a barreira dos 100 dias. Todos, no entanto, têm em comum passagens por grandes companhias, uma carreira já consolidada na área de recursos humanos e a mesma pressa em conhecer o negócio e, principalmente, as pessoas. São elas o objeto de maior interesse desses profissionais.

Há quem preferiu pular a integração oficial da companhia só para montar sua agenda de conversas. E elas começam desde um simples: ‘Quanto tempo você tem de empresa?’ até um diálogo mais estruturado sobre aspirações de carreiras. Independentemente da forma como cada um desenhou sua rotina, todos já entraram no time jogando. Sem muito tempo para o aquecimento.Nesses três primeiros meses, teve gente que já foi para o México duas vezes, já visitou mais de uma vez a fábrica, participou de convenção de vendas ou está discutindo o orçamento de 2015. Os 100 dias ficaram mais curtos e, na prática, na metade desse tempo eles já viajaram tanto e fizeram tantas reuniões e conference call que já nem lembram mais como era sua vida antes de adotar um novo sobrenome corporativo.

110 dias
Henrique Gonzalez, 46 anos, diretor de recursos humanos da Bic



"Confesso que eu fugi da integração formal no meu primeiro dia de trabalho. Eu queria conhecer as pessoas e partir para a prática. De manhã, conheci minha equipe. À tarde, participei da reunião de diretoria e pude conhecer os seis diretores.A primeira impressão de tudo é que eu estava entrando numa empresa leve e informal. Ninguém aqui, por exemplo, usa terno. O que fez todo sentido quando descobri que simplicidade é um dos cinco valores da Bic.Outra coisa que você logo percebe é que cada empresa tem sua linguagem própria e as pessoas se comunicam como se você já conhecesse todos aqueles nomes e verbos que só existem ali. O que não podemos ter é vergonha de perguntar. Eu nunca tinha falado, por exemplo, o verbo ‘positivar’. É uma linguagem de marketing.Também não sabia que a Bic estava no segmento de barbeadores e que a empresa vende — só no Brasil — mais de 1 bilhão de itens a cada 12 meses. Passado o período da “experiência”, você percebe que já está totalmente integrado. Eu brinco que já ‘positivei’ todo mundo. Meu filho de 3 anos só usa agora lápis da Bic e eu, claro, já troquei a marca do meu barbeador.” 

51 dias
Samanta Pereira, 41 anos, diretora de recursos humanos do Grupo Guanabarao


Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-voce-rh/edicoes/34/noticias/100-primeiros-dias

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